Na última vez que nos encontramos, gelei. Quis mentir para
você – e para mim – que o mal jeito foi culpa da semana ruim. Mas eu sei –
apesar de você não suspeitar – que, em verdade, não sei agir com você por
perto. Minha mente paralisa, minhas pernas não me obedecem e sinto um medo
aterrorizador que, no entanto, não me faz correr seja para você seja de você. O
estado catatônico disfarço em sorrisos blasé, que tanto não combinam comigo nem
com os sentimentos que tenho por você. Por isso, se pudesse, toda vez que isso
ocorresse, gostaria que você não me deixasse ir sem esboçar um sorriso, sem te
dar um abraço, sem dizer palavras de carinho e perguntar como você está. Quero
que você perceba o que minhas entranhas e meus olhos transbordam – não ouça
meus lábios, escute com atenção meu coração; não observe meus gestos, acompanhe
somente o meu olhar.
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